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Psicólogo (a) Não é Conselheiro!

Atualizado: 24 de abr. de 2023

Algumas pessoas se confundem, saiba porquê...





“Aconselhar” é o mesmo que recomendar algo, ou sugerir uma receita que ‘dará certo’ (mas, talvez, pra quem aconselha), ou apenas dizer o que se deve ou não fazer. Isso é comum quando conversamos com um amigo, um vizinho ou quando estamos numa fila de espera, por exemplo.


Nas sessões de psicoterapia ou psicanálise não funciona na base de conselhos, de senso comum, ou coisa assim. Conselhos são recheados de valores éticos, morais, de opinião de alguém (totalmente diferente do seu), e que servem apenas para essa pessoa que o (a)aconselha, e muitas vezes, seguido de julgamentos. O terapeuta não é seu amigo, e sim um profissional capacitado para acolhê-lo e ajudá-lo clinicamente.


Na sessão com psicólogo (a), ou psicanalista, a fala, ou seja, a narrativa (sobre seu modo de ser/estar no mundo) é a base principal para o tratamento clínico, pois, quando verbalizamos, aprendemos a dar nome aos sofrimentos. E, a partir daí, ele se escuta também, toma consciência das suas questões que vão se clarificando e, aos poucos, vai aprendendo a se conhecer melhor, o porquê de tais sofrimentos, como chegou a esse ponto e como resolvê-los. E a dimensão aqui é macroscópica, pois a psicoterapia vai ajudar na reorganização dos conflitos existenciais do sujeito dentro de um tempo mais longo, e não é um simples bate-papo.


Vamos pensar que cada pessoa é como uma forma, e cada um tem sua própria 'medida', ou seja, sua subjetividade, sua construção histórica – é única.

Quando o paciente se questiona ele mesmo acaba encontrando possibilidades de soluções. O Psicoterapeuta ajuda - estando junto a ele - ouvindo suas queixas, ressignificando-as e possibilitando soluções dos problemas. E isso é um trabalho em conjunto – paciente e terapeuta. O paciente, uma vez ciente de suas questões, tem autonomia para decidir como agir e, o psicoterapeuta caminhando ao seu lado, sempre porá em evidência, não só suas queixas, mas suas possíveis tomadas de decisões e devolvendo a ele suas responsabilidades sobre elas – reflexão.



Mas você poderia se perguntar: "E o Aconselhamento Psicológico? É a mesma coisa?"


Hum... Seria uma boa pergunta! Então, vamos lá, para não restar dúvidas.


'Aconselhamento Psicológico' é uma prerrogativa da Psicologia (ciência) o que não é a mesma coisa de um 'conselheiro' (senso comum e que não é uma prática da Psicologia), mas uma ferramenta técnica e/ou referencial teórico de dimensão microscópica que ajuda o sujeito no reajuste de algumas questões pontuais e específicas para aquele momento. Está relacionado a resoluções de problemas, tomada de decisões, que permite a pessoa a trabalhar com seus próprios recursos e num curto espaço de tempo. Essa atuação é educativa, situacional e preventiva como, por exemplo, clarificar às pessoas, sobretudo, jovens nas tomadas de decisões quanto qual profissão seguir/escolher, família, relacionamentos e etc. É um momento em que a pessoa pode ser acolhida e ouvida enquanto 'descansa' sua aflição que pode ser transitória. Ou quando não é, poderá ser encaminhada para psicoterapia.



O terapeuta não dá conselhos e nem cria respostas, pois a Psicologia é ciência (e não senso comum/amigo). As respostas estão no próprio paciente, e este só precisa de estímulos, clarificações e direcionamentos para alcançá-las, dentro e fora das sessões de terapia. E a ‘receita’ de solução que o próprio paciente pode encontrar, certamente, poderá ser útil somente para ele, considerando toda sua historicidade e formação subjetiva ao longo da vida.


Portanto, ao escolher um profissional (capacitado), pense que irá encontrar um analista - e não um 'conselheiro', pois o analista será àquele que devolverá ao paciente aquilo que lhe cabe: o cuidar-de-si e de sua existência no seu modo-de-ser-no-mundo-com-o-outro.


Abraços!


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