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meio social Heteronormativo - 'Como ser Eu?'

Atualizado: 24 de abr. de 2023

Na Visão da Psicologia




Percebo no cotidiano que, ao falar sobre este assunto que será comentado logo mais, algumas pessoas se sentem desconfortáveis, ou até mesmo constrangidas e, outras, que precisam muito, muito falar sobre isso. Seja como for, falar ainda é o melhor remédio. Então, vamos lá!


A sociedade brasileira com base numa visão binária delimita com normas sociais as identidades, tendo a heterossexualidade como padrão “correto” e, questões políticas, senso comum e crenças fortaleceram e fortalecem ainda esta forma de ver o ser biopsicossocial definido a priori. A sociedade sempre esteve organizada desta forma.


No entanto, há de se pensar que a heteronormatividade é uma realidade que se faz presente, e que de certa forma, velada (ou não), a sociedade se submete a hegemonia da norma, ou seja, guia-se de acordo com a influência preponderante e impõe ao outro que assuma um papel que não o (a) representa, em muitos casos, e privando-o (a) de viver seus desejos e expressar sua sexualidade. E quando há situações como esta, que foge ao esperado socialmente, estes frequentemente sofrem perseguições e são marginalizados. E, sendo assim, torna a expectativa de quem precisar ser-o-que-é mais difícil. E o sentido de ser-Eu em alguns casos, deixa a desejar.


"Atos de rejeição afetam o psicológico a ponto da pessoa se sentir excluída do grupo social, inclusive, familiar..."

A dificuldade/medo de se assumir/aceitar sua orientação sexual e identidade de gênero traz sofrimentos, e comumente, está relacionado a questões que vão para além do explicitado anteriormente. A dificuldade de “assumir-se” também vem de possíveis conflitos internos (de conteúdos inconscientes) que, em algum episódio da vida, marcaram-no (a) negativamente.

Para determinadas pessoas, a sua orientação sexual e afetiva (algo que vem sendo construído ao longo da vida), não é uma questão de opção e não é uma tarefa fácil, pois algumas delas se pegam tendo que ponderar previamente, em detrimento dos seus desejos, os possíveis conflitos externos que podem ocorrer no ambiente de convívio, seja por familiares que, talvez, não acolham sua orientação sexual (e afetiva) e identificação de gênero (que é como a pessoa se apresenta), ou no trabalho e/ou ambiente acadêmico. E, somado a esses conflitos, este ser humano ainda é acometido por atos discriminatórios, desrespeitos, etc. Isso torna-se sofrimento.


A pessoa quando se re-conhece ao longo da vida como diferente do que durante um período foi afirmado como "certo" (biologicamente e suas características) pela sociedade, os conflitos dentro de si criam distúrbios psicológicos e angústias por não se ver mais como antes, acreditando que assim é feliz, mas fica imaginando como os outros irão te 'olhar'. E algumas pessoas guardam seu verdadeiro 'Eu' por quase toda vida, e outros conseguem ser o que é, seguem "lutando", mas isso não significa não-sofrer, por razões óbvias.


Atos de rejeição afetam o psicológico a ponto da pessoa se sentir excluída do grupo social, inclusive, familiar. O fato de não se sentir (ou vir-a-ser) mais pertencente ao meio social de convívio, ao pensar em expor sua real identidade de gênero e sexualidade, por exemplo, imagina também que poderá ser inútil aos olhares dos outros, levando-o (a) ao isolamento, medo, profunda depressão e podendo chegar ao ponto de pensar ou cometer suicídio.


Cada pessoa é pertencente a um determinado contexto sócio-histórico com as mais variadas condições de ser e estar no mundo

É importante avaliar que muitos atos discriminatórios são, por vezes, por falta de conhecimento sobre o assunto que o (a) incomoda. Contudo, é necessário se perguntar também o que leva a outra pessoa se sentir tão incomodada, ou afrontada com a escolha identitária de outrem. Seria algo inconsciente, um desejo recalcado que ao longo do tempo precisou ser absolutamente reprimido? Talvez. E isso leva a pessoa a não querer saber sobre esse assunto defendendo-se, atacando com pré-conceitos o outro e até distribuindo ofensas violentas, pois na verdade este, em algum momento, pode ter se identificado com o oprimido. É possível que isso tenha a ver com o tipo de educação recebida, em que a visão binária padronizada sobre identidades são ensinadas como verdade absoluta e passadas de geração em geração (questões de geracionalidade muitas vezes rígidas). Ou seja, não é só quem tem uma identidade de gênero ou orientação sexual diferente, ou qualquer outra condição pessoal que pode ter sofrimentos e precisa de ajuda, mas àquele que se sente incomodado (a) também.


"O ser humano é ontologicamente regido pelo ‘cuidar’ de si (e do outro) em sua dimensão ampla e fundamental"

Com ajuda, fica mais fácil...


Ambos precisam de acolhimento e acompanhamento profissional, sem julgamento e total sigilo. O oprimido – aquele que experimenta exclusão e discriminação – para se sentir liberto daquilo que o impede de se assumir e ser-o-que-é. E quem oprime, precisa conhecer suas questões internas, seus fantasmas, se conhecendo melhor e reconhecer seus possíveis desejos ou inclinações sexuais. Também com acompanhamento profissional terá a oportunidade de entender melhor sobre a diversidade de gênero e sexualidade. O profissional caminhará ao lado e juntos poderão encontrar possibilidades de compreensão.


Quando conhecemos a nós mesmos (nosso interior) compreendemos que as respostas para nossas dúvidas, medo, insegurança, etc., estão dentro de cada um de nós. Uma vez encontrando respostas, encontram-se também condições de modificar os pensamentos que o (a) aprisiona, modificar suas atitudes/hábitos e padrões, podendo encontrar uma vida mais leve e digna, se comparado às dificuldades de antes, respeitando o outro e respeitando-se com confiança e sendo mais feliz consigo mesmo (a).

O ser humano é ontologicamente regido pelo ‘cuidar’ de si (e do outro) em sua dimensão ampla e fundamental. Mas, o ser humano sem o sentido de Ser nesse mundo adoece no corpo e na alma (psique). Então, falar sobre o que nos incomoda, pode nos 'salvar'.


Abraços!

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