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‘A Criança Interior Ferida da sua Infância’

Atualizado: 24 de abr. de 2023

É PRECISO ACOLHÊ-LA!







Seu relacionamento amoroso, ou até mesmo o relacionamento social no dia a dia, é do jeito que você imaginava? Ou você tem aquela sensação de que o outro está sempre "em falta" e não te compreende?


Pois bem, essas e tantas outras perguntas poderiam ser feitas a respeito dos seus relacionamentos, mas, talvez, você não consiga responder com propriedade sobre os reais sentimentos envolvidos nas suas relações. Mas eu gostaria de destacar o relacionamento amoroso como ponto principal desta nossa conversa de hoje.


"Toda paixão "se acomoda", ao conquistar confiança na relação"

No início dos relacionamentos as pessoas não costumam ser o que realmente são, até por estarem se conhecendo. E é comum nesse período uma reciprocidade mais intensa de carinho, demonstrações de amor, atenção, etc. Há o desejo bilateral em querer realizar tudo que é possível para satisfazer seu companheiro (a), pois, nesse início, tudo é “mais” e quase não se cobra nada um do outro. No entanto, com o passar tempo de namoro ou casamento, é normal que a paixão se ‘acomode’. E, apesar da confiança na relação, é possível que um dos lados comece cobrar mais atenção, carinho, amor, aprovações, etc, pois assim, preenche um certo vazio, mas de uma necessidade diferente. E pode ser que seu companheiro (a) não perceba suas reais necessidades da mesma forma que você precisa. Ou, às vezes, ele (a) pode até se sentir esgotado (a) em não conseguir satisfazer tantas cobranças.


Essa realidade é mais comum do que a gente imagina. Mas essa 'falta', esse vazio que a pessoa vive e sente e a extrema necessidade do outro e do seu afeto é o que chamamos de “criança interior ferida” e costuma ser revivida dentro dos relacionamentos, sobretudo, nos amorosos. E não tem como não relacionar essa condição afetiva atual com a infância nos primeiros anos de vida para entender o que está acontecendo. A memória da infância de tudo que vivemos dentro do primeiro grupo social, nossa família, diz muito sobre nós.

Quando crescemos e nos tornamos 'adultos' não entendemos porque normalmente temos um relacionamento amoroso mais complicado e difícil, em que o outro parece não nos compreender. Os primeiros anos de vida são muito importantes, porque é a partir daí que se começa construir nossa personalidade, nossas características e vamos evoluindo de acordo com nossa formação interna, mas com referências do que vem do externo. E, a 'criança interna', uma vez ferida/machucada cresce com a gente.


"A criança aprende a si amar quando recebe o amor dos pais e das pessoas a sua volta"

"Mas como isso acontece?" Talvez, essa seja sua pergunta nesse momento...


Quando nossa a família, que é a fonte principal de trocas afetivas no relacionamento, é pautada na falta de afeto amoroso, reconhecimentos, valores, por exemplo, é onde tudo se inicia para um um futuro psicologicamente complicado desse ser. E, a partir deste contexto, a criança cria formas de defesas, muitas vezes, por achar que isso é normal. Ela vai internalizando isso enquanto cresce, e vai ser repetido na escola e, quando adulta, nos relacionamentos.


"A psicologia dos pais, assim como dos educadores, é de alta relevância no desenvolvimento e amadurecimento de uma criança, segundo Jung."

(Carl Gustav Jung, psiquiatra e psicoterapeuta suíço)


Famílias ‘problemáticas’ habitualmente têm um deficit de comunicação e trocas afetivas. E, quando é necessário a interação, é com baixa qualidade de comunicação; são reprimidas ou rígidas demais no comportamento, ou seja, são disfuncionais. Então, esta criança vai projetar a falta de afeto, atenção e tudo aquilo que não lhe foi doado ou trocado com ela na infância, e isso vai fazer diferença na idade escolar, e adulta nos relacionamentos amorosos, principalmente.


A expectativa que é investida no companheiro (a) é muito importante ao sofrente (a pessoa que carrega com ela 'a criança interna' magoada, ferida), mas fará isso com imposição e cobrança. E esse companheiro (a) por mais que te admire, te ame e esteja sempre ao seu lado poderá nunca preencher os sentimentos que lhe faltaram, e essa 'criança ferida' vai continuar se "machucando" e sem entender porque sua relação amorosa não te acolhe.


"Muitas vezes, as palavras são duras com as crianças..."

A pessoa que tem essa ‘ferida exposta’ não sabe que tal dificuldade nos relacionamentos está diretamente ligada a este fato. O déficit (falta) de sentir-se protegida, capaz, ajudada, de apreciar seus valores, afetos de amor/carinho, apoio, se sentir querida, compreendida, etc., deixam marcas. Uma criança precisa ser amada, valorizada e validada como um ser que sente e precisa ter um sentido das coisas, pois é assim que se desenvolve suas elaborações psíquicas de forma mais apropriada/saudável. Uma criança que se sente preterida carrega consigo marcas e mensagens de rejeição, de não aceita ou valorizada do jeito que é.


Esses déficits com a criança em alguns casos podem ser pela quantidade de horas em que os pais precisam ficar fora de casa para prover o sustento do lar. Outros, podem até ficar horas com as crianças, sem interação ou trocas de atenção e afeto de qualidade. Contudo, alguns acabam criando seus filhos da mesma forma que foram criados quando criança, e isso não significa que fazem de propósito, apenas é algo que vem de geração em geração por acreditarem que é a forma correta. Muitas vezes, as palavras são duras com as crianças. Você pode achar que ela não entende o que é dito, mas, recebe sim uma mensagem negativa, pois não há como sentir-se feliz ao ouvir coisas como:


“Você não é capaz de fazer algo tão simples?”

“Você não me ajuda em nada. Que incompetente...”

“Você já não é mais criança e pode se virar sozinho”

“Você é burro, porque não estuda direito”

“Agora não posso fazer mais nada... Quando se tem filhos não sobra tempo pra gente”

"Minha gravidez foi um acidente, eu não queria filhos... E assim você nasceu, mas a mamãe te ama"


A 'criança interna ferida' vai se sentir sempre inferior as outras crianças... incapaz e insegura ao fazer algo ou tomar decisões, as mais simples...

A criança que vive essas experiências vai se sentir o “patinho feio”, o preterido (rejeitado) e inferior as outras crianças (ou quando adulta, a outras pessoas), incapaz, insegura ao fazer algo ou tomar decisões, as mais simples. Por outro lado, pode até se mostrar perfeccionista demais para tentar agradar-se ou agradar aos outros por achar que nunca é suficientemente bom (a) com ela ou outrem. Sentirá a necessidade de aprovação do outro e acabará tomando decisões com base no que o outro acha, e não ela. É comum essa criança ou adulto se sentir ‘burra’ e sempre com medo de errar. Ela tem sentimentos de culpa, por exemplo, por ver os pais brigando, pois esta vai se enxergar como responsável por isso sempre que acontecer, assim, como quando os pais estão demonstrando tristeza por algo que também não tem a ver com ela. Essa criança pode se tornar muito introvertida.


"Experiências de déficits (falta) de afeto positivo criam uma situação favorável para que a ‘criança interior ferida’ se instale 'com sucesso'..."

Há pais que se sentem culpados por não poder ficar mais tempo junto dos seus filhos, devido a carga excessiva de horário de trabalho, e outros que, na medida do possível, apesar do pouco tempo disponível, fazem valer esse tempo com qualidade.

Tais experiências de déficits (falta) criam uma situação favorável para que a ‘criança interior ferida’ se instale “com sucesso” e torna seus relacionamentos futuros dificultosos e/ou disfuncionais, pois a repetição (inconsciente) do que viveu na infância acaba sendo inevitável. E por se tornar um relacionamento doloroso e difícil, torna-se uma pessoa ansiosa e com receio/medo de se deixar levar por um amor ou permitir ser amada naturalmente, pois a sensação de incapacidade de se relacionar (por tornar a relação ruim com excesso de cobranças) é um dos obstáculos. E a 'criança interna' normalmente não é percebida pela própria pessoa.


"As experiências ruins causam dores psicológicas..."

O 'acolhimento' é o remédio para o corpo e para alma (Eu)

É preciso acolher essa 'criança ferida'


Essa ‘criança ferida’ uma vez reconhecida precisa ser acolhida com todo carinho e atenção por esse adulto que você é hoje. Tem que pegá-la no colo e cuidar dela. O acolhimento terapêutico profissional com seu olhar clínico e capacitado pode ajudar identificando a ‘criança interior ferida’ e na ressignificação de si mesmo, do seu 'resgate' para que possa haver uma compreensão sobre a ‘criança interna’ que habita na sua vida e que atrapalha seu dia a dia causando-lhe sofrimentos e dores psicológicas. Terá a oportunidade de se conhecer.


“Toda ferida sangra quando encontra àquilo que o machuca”

O contato com outra pessoa pode despertar, inconscientemente, dores da infância. Mas é preciso ressaltar que esse adulto 'ferido' é responsável pelos cuidados de si e da responsabilidade de cuidar dessa ‘ferida que dói’, sozinho ou com ajuda profissional. A ‘cura’ é uma conquista da própria pessoa quando consegue dar o primeiro passo em sua própria direção. Se frustrar frequentemente, sofrer decepções e se sentir angustiada (o) com seu companheiro (a), tudo isso está relacionado aos sentimentos dessa ‘criança interior’ que, quando precisou de afeto, amor, proteção teve a ausência apenas, e isso te machucou por não ter havido acolhimento afetivo.


“Quando pegamos a criança ferida no colo, e acolhemos a dor, a vida fica mais fácil...”

Todos nós merecemos ter e viver um relacionamento amoroso (e social) saudável e correspondido. No entanto, se não curarmos essa ‘ferida’ vamos continuar projetando nos relacionamentos esta expectativa idealizada de amor, mas com feedback de sofrimento, pois a busca tão desejada pode não ocorrer. Então, acolher a nossa 'criança interior ferida' é importante, não só para nós, mas para compreender o outro também. O acolhimento da ‘criança em sofrimento’ possibilita preencher esse vazio interno, das suas privações e tornar o seu relacionamento com seu companheiro (a), ou com outras pessoas, mais saudável. É quando você realmente assumi seu posto de "gente grande", sendo adulto sem carências e mais seguro (a) de si. A codependência enfraquece a si e aos relacionamentos, por isso, é tão necessário se autoajudar, ou buscar ajuda profissional e ter uma vida mais feliz!


Então, como são seus relacionamentos hoje? Isso faz sentido para você?

Pense nisso e cuide-se com amor e preencha seu 'vazio' se conhecendo melhor!


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